quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O que você faria como dinheiro que é desviado da Alepa?

By Haroldo Gomes


Corrupção ainda não é título de música alguma, pelo menos que eu conheça. Mas que está nas paradas de sucesso há muito tempo, isso ninguém nega. É corrupção na Câmara de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional. É melhor generalizar a todas as esferas de poder, para não estender mais a lista.
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) não poderia fugir à regra. Dizem que quem rouba um centavo, rouba um milhão. Aliás, um não, muitos milhões. E o que mais intriga é que os observatórios sociais e os meios de comunicação massificam cada fato, depois que a poeira baixa, fica tudo por isso mesmo. E os protagonistas da apropriação indevida não devolvem dinheiro algum aos cofres públicos.
Foi assim com os ex-deputados Robgol, Domingos Juvenil e Mário Couto (que hoje é senador da República). E, certamente, terá o mesmo destino o caso do atual deputado estadual Pastor Divino.
Estudos apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE no ano passado mostram que o país tem hoje 16,27% da população brasileira vivendo em situação de extrema pobreza, ou seja, um brasileiro a cada grupo de dez pessoas está inserido neste contexto. Aqui, na região Norte, esse número é de 2,65 milhões de pessoas que não tem renda alguma e, certamente, não tem o que comer todos os dias.
Se o dinheiro que escorre pelo ralo da corrupção para os bolsos de políticos inescrupulosos fosse investido em comida, por exemplo, nossa região teria pouca gente vivendo em situação de extrema pobreza. Como é muito dinheiro, vou tomar como parâmetro apenas os convênios celebrados entre a Alepa e entidades não governamentais nos últimos dez anos, e o esquema de gratificações fictícias para engordar remunerações de funcionários fantasmas na gestão de Mário Couto. Se somada toda essa dinheirama, passará de UM BILHÃO de reais. Nem a mega sena acumulada paga tão bem e tão fácil assim.
Quantas quentinhas – que hoje tem custo médio de R$ 7 – daria para comprar com um bilhão de reais? Quantas pessoas e por quanto tempo seriam alimentadas com esse montante? Mas além da fome e da miséria outras mazelas atormentam a vida de quem mora em nosso Estado: a falta de infraestrutura de transporte; malha viária; segurança pública; saúde e educação. Para sanar essas e outras situações o governo diz que não tem dinheiro.
Talvez a Alepa esteja seguindo à risca a definição baseada na defesa do senador José Sarney (2009) mediante os sucessivos escândalos em função dos atos secretos naquele Poder. Quando instigado pelos colegas paramentares, o senador usou a tribuna e se defendeu alegando: “Que crise? Se há, ela não é minha, ela é do Senado!”. Partindo deste pressuposto, ele talvez esteja certo. O fato só vem comprovar que as Câmaras Legislativas país afora sejam uma coisa e seus representantes sejam outra.
A relação entre eleitor e seus representantes não se esgota o se limita ao período de campanha. O problema é que uma vez passado este processo, os políticos são esquecidos, não são cobrados ou não prestam contas do que fazem com o mandato que o cidadão-eleitor lhe outorgou. Desta forma, eles se sentem livres para fazer como bem entendem com o mandato e com o dinheiro público. Exemplos não nos faltam...

sábado, 4 de agosto de 2012

Todos, menos eu!

by Haroldo Gomes
Creio que uma minoria já se deu conta de que vivemos procurando analogias para justificar erros que comentemos com frequência. Parece que tem algo a ver com a genética. Tanto que passa de pai para filho. Pelo menos no discurso afinado. Nós ainda não existíamos, mas nossos pais e avós já diziam que: “na nossa época era tudo diferente. Não existia nada dessas coisas modernas e complicadas de hoje em dia”.
De repente, num piscar de olhos, tudo mudou. As coisas, os gostos, as pessoas, os hábitos. Menos a gente, claro. Parece que o tempo parou e nós não acompanhamos, ou não fazemos parte da mudança e das coisas que julgamos ser ruim. Continuamos os mesmos vendo tudo acontecer sem esboçar poder algum de reação. Com exceção de apontar o que achamos errado.
De fato muita coisa mudou e continua mudando na rua em que moramos, no bairro, na cidade, no país. Ele está cada dia mais violento, mais corrupto, mais negligente. E a culpa é dos outros. Isso porque só o vizinho dá o carro para o filho menor de idade dirigir sabendo que é crime. Que só o vizinho furta energia elétrica e fura a fila do caixa eletrônico. Que dirige sem o cinto de segurança falando ao celular e quando é flagrado para não ser multado suborna o agente de trânsito sem nenhum pudor ou sentimento de culpa por alimentar um dos maiores cânceres da sociedade contemporânea: a corrupção.
Outra coisa que se pratica muito e que se acha simples em nosso país é o ato cultural de votar no candidato “a” ou “b” se receber algo em troca. Em resumo, o que o candidato faz com o mandato pouco importa para quem vendeu o voto. Quando a imprensa divulga fatos recorrentes de escândalos envolvendo políticos o que mais se houve deste tipo de cidadão é que “todo político é ladrão”. Mas afinal, quem é mais ladrão nessa historinha sem fim, aquele que vendeu ou aqueles que compraram o que não tem preço?
Nada muda se esse exercício não começar pela gente. Do jeito que caminhamos nos aproximamos cada vez mais da utopia. Já que é mais fácil esperar que os outros façam sua parte para melhorar a vida em sociedade, o mundo; enquanto a gente se exime das possíveis culpa. Até quando?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vida unipessoal é para quem pode!



(*) Por Haroldo Gomes
Pensei que em vida já tinha visto e ouvido de tudo um pouco. Mas a cada dia fatos novos me surpreendem. Como o a seguir.
Já ouvi pessoas afirmarem que se relacionam melhor com bichos, como cães e gatos que, com pessoas. Outras que odeiam religião e da noite para o dia abrem sua própria igreja e se tornam pastores. Importante reconhecer que o direito de manifestação religiosa é livre e garantido pela Constituição Federal brasileira.
Mas, não. Recente fui tomado por outro fenômeno pertinente ao comportamento humano. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que nos últimos 20 anos cresceu o número de “família unipessoal” no Brasil. Parece estranho, também acho. Mas é o conceito pós-moderno de lares habitados por uma única pessoa. Isso mesmo!
Mas essa tendência comportamental não é para todos. Segundo o mesmo estudo, este é um privilégio que somente as classes média e alta brasileira podem ostentar. Em Goiânia, por exemplo, há condomínios e lojas de conveniência com serviços pay-per-use (ou seja, só paga se usar) para este público, cada vez mais cativante devido ao alto poder aquisitivo.
Sempre que vou ao condomínio de algum amigo fico estarrecido. As pessoas moram no mesmo espaço, passam umas pelas outras como se fossem robôs programados. Não se conhecem e muito menos se cumprimentam. Essa tendência unipessoal não é exclusividade do Brasil, outros países como a Finlândia, Grã-Bretanha e Japão lideram o ranque de lares unipessoal.
Bem que eu poderia me encaixar nestas estatísticas, uma vez que me separei recentemente. Mas optei morar com minha mãe. Fico observando - quando posso - os costumes praticados pelas pessoas mais antigas, a exemplo dela. É um choque cultural enorme se comparado com as de agora, mas é real.
Fim de mês, fim de quase tudo na cômoda. Na hora do aperreio, uma luz para socorrer a escassez do gás, do leite, ou mesmo do cafezinho que se faltar mamãe terá certamente um ataque de nervos daqueles. Para resolver ou amenizar essas e outras situações surge um personagem, para quem tem: o vizinho.
O mesmo estudo afirma ainda que pessoas de baixa renda têm comportamentos diferentes do adotado pelas classes abastadas. Ainda bem, mamãe e eu estamos fora dessa. E você?
(*) Jornalista Graduado pela Universidade da Amazônia e servidor público municipal. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

As mídias sociais e a política castanhalense



(*) Por Haroldo Gomes
Desde que o presidente Barack Obama atribuiu sua vitória às mídias sociais nas eleições americanas de 2008, que elas vêm ganhando espaço e sendo decisivas em embates políticos e propiciando maior visibilidade aos candidatos, em qualquer que seja o pleito. O grande protagonista por essa estratégia de marketing político é o Facebook. Explicar esse fenômeno fica fácil quando de se observa a quantidade de adeptos espalhados pelo mundo, já são mais de 500 milhões.  Só no Brasil, são 25 milhões.
Nas eleições municipais deste ano os blogs, o twitter e o Facebook continuarão a imperar na definição dos candidatos vencedores, tanto no executivo quanto no legislativo. A presente análise é baseada na ampla audiência com que os pré-candidatos e seus eleitores postam comentários diariamente. Inclusive, há comunidades específicas que tratam do assunto.
Com as mudanças promovidas pela Justiça Eleitoral que passou a proibir os candidatos de distribuírem brindes e de realizarem comícios com megashows etc. fez com que os políticos estabelecessem novas táticas de fazer campanha.  
Assim que começou a definição dos nomes dos pré-candidatos a prefeito de Castanhal teve início as postagens com entonações fervorosas. Algumas provocativas, outras até ofensivas. Ao contrário do que muitos pensam, mesmo sendo um território pertencente ao mundo virtual, para excessos considerados crime, há penalizações previstas em lei.
A maioria dos vereadores da atual legislatura, inclusive o prefeito, tem conta no Facebook. Suas atividades quando divulgadas recebem centenas de comentários, o que reforça que as mídias sociais a partir de sua liberação como objeto de campanha tornar-se-á o principal palanque dos candidatos que disputam o pleito deste ano.  
Engana-se o político que acha que as mídias sociais são as únicas vias de fazer campanha. Ela facilita a comunicação, mas deixa ainda mais distante o contato físico entre eleitores e os políticos. Queixa eterna. Afinal, a maioria realmente só aparece em período de campanha.
O conflito entre o real e o virtual é um capítulo à parte. O eleitor sabe que é soberano e que lhe cabe estabelecer critérios que favoreça a escolha correta dos merecedores de seu voto nas eleições de outubro próximo.
(*) Jornalista graduado pela Universidade da Amazônia e servidor público municipal.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Indignação


Brasil, mostra tua cara,
queremos saber quem gasta e como o dinheiro público para ele ser assim?
Brasil, o teu sócio não confia mais em ti!
Quem paga essa dinheirama somos nós.
Quem os elege também.
Tá passando da hora de dar um basta.!??

by Haroldo Gomes

terça-feira, 15 de maio de 2012

Agora é o bendito celular


By Haroldo Gomes
Os celulares se tornaram acessórios inseparáveis para qualquer pessoa hoje em dia. Mas eles não são utilizados apenas para facilitar a comunicação entre pessoas. Além das muitas funções habituais uma vem se destacando: o formato MP3 - que significa MPEG Audio Layer-3 – que possibilita ouvir música com ótima qualidade. Mas quando são utilizados inadequadamente geram muitas reclamações.
Não sei porque os donos de aparelho de celular com memória acima de dois gigas com bastante espaço para armazenar músicas gostam de se exibir. O fato é que para onde a gente se vira tem alguém predisposto a nos incomodar, não só com o volume as alturas, mas, também, pelo gosto musical. 
Quem não mora perto de um bar ou de um vizinho chato metido a DJ, que aos finais de semana coloca as caixas de som do lado de fora da casa, liga o som as alturas e passa o dia brincando de infernizar nossos domingos e feriados, esse lugar é o paraíso aqui na terra.
Depois de tudo isso, vem à segunda-feira em que a gente levanta bem disposto para enfrentar a semana de trabalho como de costume. Ao subir o coletivo percebe a barulheira outra vez: “treme, treme, treme... bate na palma da mão (...)”. As mesmas músicas, a mesma ordem. Dá vontade de pegar o celular do individuo e quebrá-lo. Como será confusão na certa é melhor oferecer um fone de ouvidos para amenizar a situação.
Outro dia peguei uma van rumo à capital, dentro vinha um cidadão torturando os demais passageiros com aquelas musiquinhas de sempre: “treme, treme, treme... bate na palma da mão (...)”. Mas faltava algo para a viagem ficar completa. Sobe, então, outro passageiro, agora, muda o gênero, mas o barulho só aumenta. “Eu sou de Jesus, eu sou de Jesus (...)”. É a guerra sonora entre o religioso e o profano, eu e os demais passageiros, ali, indefesos, sem podermos fazer nada. No máximo, tapamos os ouvidos com as mãos.
Não existe lei para coibir o uso de celulares com MP3 as alturas em locais públicos ou mesmo privados. Enquanto nossos legisladores não pensam nisso, a situação é amenizada por atos e atitudes de pessoas de bom senso. Digo isso porque recentemente entrei em uma van e fiquei assustado com o tamanho silêncio. A princípio achei estranho, só depois vi que havia adesivos bem incisivos com os dizeres: “PROÍBIDO USO DE CELULAR COM MÚSICA NESTE VEÍCULO”. Assim minha viagem se tornou mais tranquila. Pena que na maioria das vezes isso não ocorre. Mas que é um bom exemplo a ser seguido, isso é.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Meu genro é vascaíno


Que camisa estranha. Preta. Sombria. Mas tem gente que gosta e torce para o time. Meu genro, Marcos, por exemplo, é um deles. Dizem que genro não é parente. Se for verdade estou salvo deste carma familiar.
Recentemente, estivemos conversando sobre a decisão do segundo turno do Campeonato Carioca. Eu, claro, apostei que o mengão seria o campeão; ele [o genro] encheu a boca e disparou: “quem vai ser campeão é o meu vascão”. Eis que surge o pai dele na conversa, seu Geraldo, um cidadão alto, boa praça, que faz Faculdade de Direito, mas que torce para o Botafogo. “Vocês estão enganados, quem vai ser campeão este ano é o meu fogão”. Em partes ele estava certo, já que, o Botafogo conquistou a Taça Rio. Se vai ser campeão Estadual é outra história. E como tal, não quero e não devo opinar. 
Já falei que vou dá uma camisa do Flamengo pro meu neto, Pedro César, que tem 3 anos. Mas o pai se mostra irredutível e reluta em não aceitar. O primo dele, Rafael, que é flamenguista de carteirinha já deu uma, e o Marcos a queimou. Temo que ele faça a mesma coisa.
Após a derrota de 3 a 2, que nos deixou de fora da decisão, tive que aturar suas gozações. Então, eu o lembrei de que um jogo não representa um título, mas ele sucintamente me respondeu: “vencer vocês pra nós é um título”. Mais um ponto pro genro. E não é só ele, todos estão afinados com o mesmo discurso, tanto que ouvi o argumento descabido do Laíre [do Gordon’s Bar] e do Jean [baixista da Estado Civil].
Vou deixar de malhar o Marcos de que o time para o qual torce não é mais vice. Afinal, baseado na tese deles próprios, perdemos duas vezes, logo, eles se tornaram bicampeões ao nos vencerem duas vezes pelo estadual deste ano.  
Já adverti meu genro e os demais simpatizantes vascaínos que o ano não acabou. Ainda tem pela frente o Brasileirão. Teremos duas chances de recuperarmos os títulos. Caso contrário, terei que aturar meu genro e o seu jargão de que: “meu vascão é o melhor”.  
Por Haroldo Gomes