quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mudar é um exercício necessário


Haroldo Gomes [*]
Mudar de opinião, de clube, de emprego, de religião. Qualquer que seja ela, é sempre um drama fazer escolhas. A mudança é uma opção que sempre nos causa espanto e nos remete à profundas reflexões, pelo simples hábito de tentar. Muitos optam em não fazer temendo as consequências. Tentar resistir é bobagem. Afinal, a vida como ciclo natural muda e nos proporciona instintivamente a mudanças, nem que seja de opinião ou comportamento.
Tenho um grande amigo que tem uma banca de revista no Centro da cidade que há muito não o visitava. Ao chegar lá, semanas atrás, antes que o cobrasse pela refutação de convites para sairmos aos finais de semana, ele disparou: “Hagagê, eu não estou mais bebendo, mudei de religião e passei a focar outros objetivos em minha vida pessoal, espiritual e profissional”. A princípio o percebi aflito, talvez temendo alguma reação minha. Apenas lhe fiz duas perguntas. Você está feliz? Está bem, amigo?
Ouvi convictamente dele que SIM.  Então, amigo, é isso que importa, respondi.  
O gesto dele me fez lembrar outro momento, outro amigo, este veio de Macapá para me mostrar um projeto. Durante a conversa ele abrira o notebook para me mostrar o que queria – que não vem ao caso gora - dei importância à frase que estava na área de trabalho do computador pessoal dele, a qual dizia: “Não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas da mesma forma”, Albert Einstein.
No caso do amigo da banca, enquanto estava lá, o que mais presenciei foram gozações e falas como a de que ele havia mudado de religião na intenção de ficar rico, entre outras. Acredito que a maior mudança deve haver em nos mesmos, e isso requer atitude. Deixar de beber, de fumar o outro vício é algo que parece inaceitável. Cobramos tanto isso das pessoas e quando elas conseguem dar o primeiro passo as tratamos com indiferença.
Se observarmos bem, perceberemos que Deus escolheu seus apóstolos sob o signo da mudança. São Paulo é o exemplo maior, de perseguidor a defensor árduo dos Cristãos. E isso causou certa desconfiança entre os demais que o seguiam. Mas ele cumpriu seus desígnios.
Willian Shakespeare reforça essa necessidade no trecho do poema “o Menestrel”, o qual enfatiza que “Realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida. Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar”.
Por maior que sejam as incertezas, tente, só assim saberás se era ou não como você havia imaginado.
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[*] Haroldo Gomes é jornalista especialista em Docência do Ensino Superior. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como calculadoras ambulantes

Haroldo Gomes [*]

Desde que recebi uma mensagem de texto da operadora de celular, há cerca de dois meses, informando que para ligar a partir de agora por meio de DDD para São Paulo temos que acrescentar o dígito 9 aos tantos números já existentes - com mais o nove passaram para 14. Então, fiquei a meditar. Em resumo, nunca tive relação amistosa com os números e a matemática. Que o digam os concursos em que há esta disciplina.
Aliás, não só eu, mas a maioria dos brasileiros. Não é desculpa, é fato. Os índices avaliativos relacionados à educação não me deixam mentir. É aquela tal coisa, se você não pode vence-la, junte-se a ela. É o que venho tentando fazer para não colocar a culpa apenas na matemática, afinal, ela é exata, dizem os matemáticos.
E não dá mesmo para viver sem eles. O celular, o cartão de crédito, para acessar o e-mail, para pagar um simples boleto apenas com os números do código de barras é aquele sufoco. Ai, você enlouquece quando olha a quantidade de números, se tiver um dígito errado ou invertido o pagamento vai parar em outra conta. Eles estão por toda parte.
Há quem não consiga fazer uma continha usando uma das quatro operações. Memorizar tantos úmeros então! Desta fase eu consegui passar. Até já memorizei os números do RG e os do CPF; por outro lado, resolver uma questão com tantos números e letras é um tormento. No concurso recente da Prefeitura de Castanhal fiquei cerca de meia hora em uma questão, o resultado não condizia com as alternativas relativas à questão. Assim que saiu o gabarito corri para tirar a dúvida: errei! Até aí nenhuma novidade. O problema é que mandei um matemático fazer a questão e ele também não encontrou o resultado. Mas vamos à diante, ela é exata!  
De uma forma ou de outra, a gente vai se transformando sem perceber em verdadeiras calculadoras, são números para todos os lados, e desta forma eles vão ficando íntimos. Isso não quer dizer que estejamos melhores em matemática; mas já vale pela aproximação.
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Jornalista graduado pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Castanhal - Fcat.

O que você faria como dinheiro que é desviado da Alepa?

By Haroldo Gomes


Corrupção ainda não é título de música alguma, pelo menos que eu conheça. Mas que está nas paradas de sucesso há muito tempo, isso ninguém nega. É corrupção na Câmara de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional. É melhor generalizar a todas as esferas de poder, para não estender mais a lista.
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) não poderia fugir à regra. Dizem que quem rouba um centavo, rouba um milhão. Aliás, um não, muitos milhões. E o que mais intriga é que os observatórios sociais e os meios de comunicação massificam cada fato, depois que a poeira baixa, fica tudo por isso mesmo. E os protagonistas da apropriação indevida não devolvem dinheiro algum aos cofres públicos.
Foi assim com os ex-deputados Robgol, Domingos Juvenil e Mário Couto (que hoje é senador da República). E, certamente, terá o mesmo destino o caso do atual deputado estadual Pastor Divino.
Estudos apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE no ano passado mostram que o país tem hoje 16,27% da população brasileira vivendo em situação de extrema pobreza, ou seja, um brasileiro a cada grupo de dez pessoas está inserido neste contexto. Aqui, na região Norte, esse número é de 2,65 milhões de pessoas que não tem renda alguma e, certamente, não tem o que comer todos os dias.
Se o dinheiro que escorre pelo ralo da corrupção para os bolsos de políticos inescrupulosos fosse investido em comida, por exemplo, nossa região teria pouca gente vivendo em situação de extrema pobreza. Como é muito dinheiro, vou tomar como parâmetro apenas os convênios celebrados entre a Alepa e entidades não governamentais nos últimos dez anos, e o esquema de gratificações fictícias para engordar remunerações de funcionários fantasmas na gestão de Mário Couto. Se somada toda essa dinheirama, passará de UM BILHÃO de reais. Nem a mega sena acumulada paga tão bem e tão fácil assim.
Quantas quentinhas – que hoje tem custo médio de R$ 7 – daria para comprar com um bilhão de reais? Quantas pessoas e por quanto tempo seriam alimentadas com esse montante? Mas além da fome e da miséria outras mazelas atormentam a vida de quem mora em nosso Estado: a falta de infraestrutura de transporte; malha viária; segurança pública; saúde e educação. Para sanar essas e outras situações o governo diz que não tem dinheiro.
Talvez a Alepa esteja seguindo à risca a definição baseada na defesa do senador José Sarney (2009) mediante os sucessivos escândalos em função dos atos secretos naquele Poder. Quando instigado pelos colegas paramentares, o senador usou a tribuna e se defendeu alegando: “Que crise? Se há, ela não é minha, ela é do Senado!”. Partindo deste pressuposto, ele talvez esteja certo. O fato só vem comprovar que as Câmaras Legislativas país afora sejam uma coisa e seus representantes sejam outra.
A relação entre eleitor e seus representantes não se esgota o se limita ao período de campanha. O problema é que uma vez passado este processo, os políticos são esquecidos, não são cobrados ou não prestam contas do que fazem com o mandato que o cidadão-eleitor lhe outorgou. Desta forma, eles se sentem livres para fazer como bem entendem com o mandato e com o dinheiro público. Exemplos não nos faltam...

sábado, 4 de agosto de 2012

Todos, menos eu!

by Haroldo Gomes
Creio que uma minoria já se deu conta de que vivemos procurando analogias para justificar erros que comentemos com frequência. Parece que tem algo a ver com a genética. Tanto que passa de pai para filho. Pelo menos no discurso afinado. Nós ainda não existíamos, mas nossos pais e avós já diziam que: “na nossa época era tudo diferente. Não existia nada dessas coisas modernas e complicadas de hoje em dia”.
De repente, num piscar de olhos, tudo mudou. As coisas, os gostos, as pessoas, os hábitos. Menos a gente, claro. Parece que o tempo parou e nós não acompanhamos, ou não fazemos parte da mudança e das coisas que julgamos ser ruim. Continuamos os mesmos vendo tudo acontecer sem esboçar poder algum de reação. Com exceção de apontar o que achamos errado.
De fato muita coisa mudou e continua mudando na rua em que moramos, no bairro, na cidade, no país. Ele está cada dia mais violento, mais corrupto, mais negligente. E a culpa é dos outros. Isso porque só o vizinho dá o carro para o filho menor de idade dirigir sabendo que é crime. Que só o vizinho furta energia elétrica e fura a fila do caixa eletrônico. Que dirige sem o cinto de segurança falando ao celular e quando é flagrado para não ser multado suborna o agente de trânsito sem nenhum pudor ou sentimento de culpa por alimentar um dos maiores cânceres da sociedade contemporânea: a corrupção.
Outra coisa que se pratica muito e que se acha simples em nosso país é o ato cultural de votar no candidato “a” ou “b” se receber algo em troca. Em resumo, o que o candidato faz com o mandato pouco importa para quem vendeu o voto. Quando a imprensa divulga fatos recorrentes de escândalos envolvendo políticos o que mais se houve deste tipo de cidadão é que “todo político é ladrão”. Mas afinal, quem é mais ladrão nessa historinha sem fim, aquele que vendeu ou aqueles que compraram o que não tem preço?
Nada muda se esse exercício não começar pela gente. Do jeito que caminhamos nos aproximamos cada vez mais da utopia. Já que é mais fácil esperar que os outros façam sua parte para melhorar a vida em sociedade, o mundo; enquanto a gente se exime das possíveis culpa. Até quando?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vida unipessoal é para quem pode!



(*) Por Haroldo Gomes
Pensei que em vida já tinha visto e ouvido de tudo um pouco. Mas a cada dia fatos novos me surpreendem. Como o a seguir.
Já ouvi pessoas afirmarem que se relacionam melhor com bichos, como cães e gatos que, com pessoas. Outras que odeiam religião e da noite para o dia abrem sua própria igreja e se tornam pastores. Importante reconhecer que o direito de manifestação religiosa é livre e garantido pela Constituição Federal brasileira.
Mas, não. Recente fui tomado por outro fenômeno pertinente ao comportamento humano. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que nos últimos 20 anos cresceu o número de “família unipessoal” no Brasil. Parece estranho, também acho. Mas é o conceito pós-moderno de lares habitados por uma única pessoa. Isso mesmo!
Mas essa tendência comportamental não é para todos. Segundo o mesmo estudo, este é um privilégio que somente as classes média e alta brasileira podem ostentar. Em Goiânia, por exemplo, há condomínios e lojas de conveniência com serviços pay-per-use (ou seja, só paga se usar) para este público, cada vez mais cativante devido ao alto poder aquisitivo.
Sempre que vou ao condomínio de algum amigo fico estarrecido. As pessoas moram no mesmo espaço, passam umas pelas outras como se fossem robôs programados. Não se conhecem e muito menos se cumprimentam. Essa tendência unipessoal não é exclusividade do Brasil, outros países como a Finlândia, Grã-Bretanha e Japão lideram o ranque de lares unipessoal.
Bem que eu poderia me encaixar nestas estatísticas, uma vez que me separei recentemente. Mas optei morar com minha mãe. Fico observando - quando posso - os costumes praticados pelas pessoas mais antigas, a exemplo dela. É um choque cultural enorme se comparado com as de agora, mas é real.
Fim de mês, fim de quase tudo na cômoda. Na hora do aperreio, uma luz para socorrer a escassez do gás, do leite, ou mesmo do cafezinho que se faltar mamãe terá certamente um ataque de nervos daqueles. Para resolver ou amenizar essas e outras situações surge um personagem, para quem tem: o vizinho.
O mesmo estudo afirma ainda que pessoas de baixa renda têm comportamentos diferentes do adotado pelas classes abastadas. Ainda bem, mamãe e eu estamos fora dessa. E você?
(*) Jornalista Graduado pela Universidade da Amazônia e servidor público municipal. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

As mídias sociais e a política castanhalense



(*) Por Haroldo Gomes
Desde que o presidente Barack Obama atribuiu sua vitória às mídias sociais nas eleições americanas de 2008, que elas vêm ganhando espaço e sendo decisivas em embates políticos e propiciando maior visibilidade aos candidatos, em qualquer que seja o pleito. O grande protagonista por essa estratégia de marketing político é o Facebook. Explicar esse fenômeno fica fácil quando de se observa a quantidade de adeptos espalhados pelo mundo, já são mais de 500 milhões.  Só no Brasil, são 25 milhões.
Nas eleições municipais deste ano os blogs, o twitter e o Facebook continuarão a imperar na definição dos candidatos vencedores, tanto no executivo quanto no legislativo. A presente análise é baseada na ampla audiência com que os pré-candidatos e seus eleitores postam comentários diariamente. Inclusive, há comunidades específicas que tratam do assunto.
Com as mudanças promovidas pela Justiça Eleitoral que passou a proibir os candidatos de distribuírem brindes e de realizarem comícios com megashows etc. fez com que os políticos estabelecessem novas táticas de fazer campanha.  
Assim que começou a definição dos nomes dos pré-candidatos a prefeito de Castanhal teve início as postagens com entonações fervorosas. Algumas provocativas, outras até ofensivas. Ao contrário do que muitos pensam, mesmo sendo um território pertencente ao mundo virtual, para excessos considerados crime, há penalizações previstas em lei.
A maioria dos vereadores da atual legislatura, inclusive o prefeito, tem conta no Facebook. Suas atividades quando divulgadas recebem centenas de comentários, o que reforça que as mídias sociais a partir de sua liberação como objeto de campanha tornar-se-á o principal palanque dos candidatos que disputam o pleito deste ano.  
Engana-se o político que acha que as mídias sociais são as únicas vias de fazer campanha. Ela facilita a comunicação, mas deixa ainda mais distante o contato físico entre eleitores e os políticos. Queixa eterna. Afinal, a maioria realmente só aparece em período de campanha.
O conflito entre o real e o virtual é um capítulo à parte. O eleitor sabe que é soberano e que lhe cabe estabelecer critérios que favoreça a escolha correta dos merecedores de seu voto nas eleições de outubro próximo.
(*) Jornalista graduado pela Universidade da Amazônia e servidor público municipal.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Indignação


Brasil, mostra tua cara,
queremos saber quem gasta e como o dinheiro público para ele ser assim?
Brasil, o teu sócio não confia mais em ti!
Quem paga essa dinheirama somos nós.
Quem os elege também.
Tá passando da hora de dar um basta.!??

by Haroldo Gomes