quinta-feira, 19 de setembro de 2013

“CASTANHAL É A ÚNICA CIDADE DO PAÍS QUE TEM DOIS GOVERNOS”


Na manhã desta quarta-feira (18), foi realizada mais uma sessão da Câmara de Vereadores. Na pauta pouca matéria para ser votadas, haja vista que, hoje o número de representantes é de 21. O ponto alto foi o pronunciamento do vereador Frango Zé, ele foi o terceiro orador a usar a tribuna da Casa, na parte regimental. Ele fez muitas denúncias e intitulou de desmandos várias ações do governo "Agora é a vez do Povo". Citou como exemplo o setor de transporte público, segundo ele, a cidade precisa de mais táxis. Ocasião em que apresentou Projeto de Indicação solicitando aumento da concessão de novos pontos para Castanhal; além de denunciar o que ele rotulou de “máfia” do transporte público escolar.

Como já usará todo o tempo disponível, suscitou à mesa diretora que lhe concedesse mais dois ou três minutos para concluir seu raciocínio. Assim sendo, veja o que ele falou:

“Senhor Presidente, imprensa e o povo aqui presente esta manhã, eu trabalhei com o dr. Titan em outros governos, mas nunca tinha visto a nossa cidade desta forma, completamente entregue a deus dará e dividida. É a única cidade do Brasil que tem dois prefeitos e ninguém sabe quem manda mais: de uma lado, Titan; de outro, Milton Campos. Onde já se viu, pra você ter acesso à saúde hoje, o cidadão ter que votar no Milton para deputado estadual, caso contrário morrerá à mingua. Enquanto isso, tem postos de saúde fechados, sem médico e medicamentos. A saúde é a que mais recebe recursos, pra onde tá indo esse dinheiro todo? É a maior roubalheira. Isso é uma vergonha! Mas não e só isso, Belém tem apenas dois Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Castanhal tem sete. A gente passa na frente, tem apenas o vigia, e todos em prédios com alugueis caros. EU TENHO PENA DESTE GOVERNO, EU TENHO PENA DO TITAN. Mas quero dizer que nós não podemos fechar os olhos, esta Casa tem 21 moradores e não podemos fazer vista grossa para tantos desmandos e coisas erradas neste governo”, finalizou.  

##Por Haroldo Gomes

terça-feira, 16 de julho de 2013

O ‘travesseiro’ é meu melhor amigo?

Por Haroldo Gomes

Não, não me reporto ao travesseiro como substantivo comum, mas a metáfora, para designar as pessoas pelas quais procuramos para confidenciar assuntos que ninguém mais pode saber além dela. Por mais que não admitamos, travesseiros como estes recebem outras nomenclaturas, isso devido o grau de confiança, afinal, não é qualquer pessoa que merece saber aquele segredo cabeludo. Nem mesmo o padre.
É comum ouvirmos muitas pessoas falarem que querem viver só, que não precisam de da companhia de alguém. Contrariando a lógica de que somos seres de necessidades e preparados para viver em sociedade, em coletividade. Deve ser o tempo, a dinâmica da sociedade contemporânea em que vivemos que trouxe estes novos conceitos.
Às vezes nem precisa ser algo tão complicado, mas que deve ser guardado como um segredo a dois. A namorada de seu amigo deu mole e você a pegou; ou você avançou o sinal e pegou a namorada de seu melhor amigo. Depois vem àquela sensação boa de pecado, de alívio, de superação. Mas e agora, com quem dividir este segredinho? Não contendo mais a euforia, socorre-se ao travesseiro: àquele amigo, ou amiga para contar àqueles detalhes que tanto lhes sufocam. 
O problema em situações como estas é que seu/sua amigo (a) tem um (a) amigo (a), que tem outra que é amiga do amigo e como aquela dinâmica do telefone sem fio, assim vai... E o segredo vai perdendo sua essência, com certo tempo ele vira um problemão. Isso dependendo do tamanho do segredo. Mas o fato é que ele deixa de ser segredo.
De qualquer forma, não se vive sem o travesseiro, é ele que nos socorre, e em linhas gerais nos diz:
- Poxa, você conseguiu!
Afinal, o troféu é justamente àquela besteirinha que você precisa se livrar para descarrego de consciência, até mesmo para massagear o ego, que é o caso mais comum.
Ação como esta é perfeitamente comum como condição humana. O que demonstra que até para aliviar nossa consciência mediante as falhas precisamos dividir com alguém, mesmo que não se leve em consideração o grau de parentesco ou amizade, o importante e liberar aquela ação boa ou má que tanto o incomoda. O certo que àquele travesseiro o qual colocamos a cabeça todas as noites e que seria o correto saber das traquinagens nossas de cada dia. Se assim o fosse, o universo humano seria ainda mais indecifrável e tantas fotos permaneceriam sem um desfecho ou sobre suas verdades.
Quem é o seu travesseiro?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Há idade definida para se usar tênis?


        Por Haroldo Gomes
Esta crônica não é nenhuma campanha de marketing, ou mesmo merchandising ao calçado que até virou canção na voz inconfundível de Cássia Eller, embora a composição seja do ex-Titãs Nando Reis. Bem, eu comprei o tênis quando meu filho precisou de um par para o futsal dele, no meio da procura achei este par vermelho, ficou perfeito no pé, então, o levei. Não sabia que ele iria ser motivo de críticas.
Ele já esta desbotando. Mas desde o início que meu irmão e um casal de sobrinhos encasquetam quando veem em meus pés o All Star vermelho. Eles me repreendem dizendo que não combina comigo, que não tenho mais idade para usá-lo. Pergunto-me, o estatuto das pessoas adultas tem algum artigo restringido o uso de determinadas roupas ou calçados? Se tem, avisem-me, pra eu me ajustar às normas da boa vizinhança e de etiqueta pós-moderna.
O senso comum é algo engraçado. Às vezes, ou na maioria das vezes o praticamos sem nos darmos conta de que em nossas ações e falas concebemos preconceitos com valores fechados em determinados tradicionalismos. Não me sinto ofendido, mas sempre reflito. Será que alguém vai impedir as mulheres evangélicas de praticar exercícios físicos em praças públicas só porque elas em geral não usam shorts, e sim, saias longas? Esteticamente não é correto, mas é a cultura delas que esta ali impressa. 
Vou me apropriar um pouco da poesia de Nando Reis para dar mais leveza a esta narrativa, um detalhe particular meu. Logo eu que sou atemporal. Na canção ele relata detalhes da pessoa amada e das coisas que ele gosta nela. Em determinado trecho: “estranho seria se eu não me apaixonasse por você... O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário, estranho é gostar tanto do seu All Star azul, estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador, aperto o 12 que é o seu andar, não vejo a hora de te encontrar e continuar aquela conversa que não terminamos ontem (...)”.
Com meu irmão o All Star vermelho em meus pés causa sentimento adverso ao da canção. Talvez por ele não ser azul. Ele acredita que a partir de determinada idade de vida as pessoas têm que seguir uma regra como a maioria das pessoas faz. Eu penso diferente, acredito e procuro mostrar para mim mesmo que as pessoas têm que fazer as coisas que lhes fazem bem, usar na medida do possível coisas que lhes motivem satisfação e lhes tragam sensações e fluídos positivos.
É bem provável que meu irmão surte se eu lhe disser que já estou de olho em outro par que vi na vitrine de uma loja aqui em Castanhal. Ele é estilizado em papel jornal. Será uma justa homenagem à minha profissão. Pode ser que assim eles relevem o meu gosto pelo uso de tênis esportivo. Sem exageros, claro!
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 Uma homenagem ao meu irmão Ivo Gomes, aos sobrinhos Sávio e Luma Moraes, meus críticos de moda e   comportamento. Minha moda e não seguir o que é moda, o que é tendência. Mania minha.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mudar é um exercício necessário


Haroldo Gomes [*]
Mudar de opinião, de clube, de emprego, de religião. Qualquer que seja ela, é sempre um drama fazer escolhas. A mudança é uma opção que sempre nos causa espanto e nos remete à profundas reflexões, pelo simples hábito de tentar. Muitos optam em não fazer temendo as consequências. Tentar resistir é bobagem. Afinal, a vida como ciclo natural muda e nos proporciona instintivamente a mudanças, nem que seja de opinião ou comportamento.
Tenho um grande amigo que tem uma banca de revista no Centro da cidade que há muito não o visitava. Ao chegar lá, semanas atrás, antes que o cobrasse pela refutação de convites para sairmos aos finais de semana, ele disparou: “Hagagê, eu não estou mais bebendo, mudei de religião e passei a focar outros objetivos em minha vida pessoal, espiritual e profissional”. A princípio o percebi aflito, talvez temendo alguma reação minha. Apenas lhe fiz duas perguntas. Você está feliz? Está bem, amigo?
Ouvi convictamente dele que SIM.  Então, amigo, é isso que importa, respondi.  
O gesto dele me fez lembrar outro momento, outro amigo, este veio de Macapá para me mostrar um projeto. Durante a conversa ele abrira o notebook para me mostrar o que queria – que não vem ao caso gora - dei importância à frase que estava na área de trabalho do computador pessoal dele, a qual dizia: “Não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas da mesma forma”, Albert Einstein.
No caso do amigo da banca, enquanto estava lá, o que mais presenciei foram gozações e falas como a de que ele havia mudado de religião na intenção de ficar rico, entre outras. Acredito que a maior mudança deve haver em nos mesmos, e isso requer atitude. Deixar de beber, de fumar o outro vício é algo que parece inaceitável. Cobramos tanto isso das pessoas e quando elas conseguem dar o primeiro passo as tratamos com indiferença.
Se observarmos bem, perceberemos que Deus escolheu seus apóstolos sob o signo da mudança. São Paulo é o exemplo maior, de perseguidor a defensor árduo dos Cristãos. E isso causou certa desconfiança entre os demais que o seguiam. Mas ele cumpriu seus desígnios.
Willian Shakespeare reforça essa necessidade no trecho do poema “o Menestrel”, o qual enfatiza que “Realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida. Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar”.
Por maior que sejam as incertezas, tente, só assim saberás se era ou não como você havia imaginado.
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[*] Haroldo Gomes é jornalista especialista em Docência do Ensino Superior. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como calculadoras ambulantes

Haroldo Gomes [*]

Desde que recebi uma mensagem de texto da operadora de celular, há cerca de dois meses, informando que para ligar a partir de agora por meio de DDD para São Paulo temos que acrescentar o dígito 9 aos tantos números já existentes - com mais o nove passaram para 14. Então, fiquei a meditar. Em resumo, nunca tive relação amistosa com os números e a matemática. Que o digam os concursos em que há esta disciplina.
Aliás, não só eu, mas a maioria dos brasileiros. Não é desculpa, é fato. Os índices avaliativos relacionados à educação não me deixam mentir. É aquela tal coisa, se você não pode vence-la, junte-se a ela. É o que venho tentando fazer para não colocar a culpa apenas na matemática, afinal, ela é exata, dizem os matemáticos.
E não dá mesmo para viver sem eles. O celular, o cartão de crédito, para acessar o e-mail, para pagar um simples boleto apenas com os números do código de barras é aquele sufoco. Ai, você enlouquece quando olha a quantidade de números, se tiver um dígito errado ou invertido o pagamento vai parar em outra conta. Eles estão por toda parte.
Há quem não consiga fazer uma continha usando uma das quatro operações. Memorizar tantos úmeros então! Desta fase eu consegui passar. Até já memorizei os números do RG e os do CPF; por outro lado, resolver uma questão com tantos números e letras é um tormento. No concurso recente da Prefeitura de Castanhal fiquei cerca de meia hora em uma questão, o resultado não condizia com as alternativas relativas à questão. Assim que saiu o gabarito corri para tirar a dúvida: errei! Até aí nenhuma novidade. O problema é que mandei um matemático fazer a questão e ele também não encontrou o resultado. Mas vamos à diante, ela é exata!  
De uma forma ou de outra, a gente vai se transformando sem perceber em verdadeiras calculadoras, são números para todos os lados, e desta forma eles vão ficando íntimos. Isso não quer dizer que estejamos melhores em matemática; mas já vale pela aproximação.
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Jornalista graduado pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Castanhal - Fcat.

O que você faria como dinheiro que é desviado da Alepa?

By Haroldo Gomes


Corrupção ainda não é título de música alguma, pelo menos que eu conheça. Mas que está nas paradas de sucesso há muito tempo, isso ninguém nega. É corrupção na Câmara de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional. É melhor generalizar a todas as esferas de poder, para não estender mais a lista.
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) não poderia fugir à regra. Dizem que quem rouba um centavo, rouba um milhão. Aliás, um não, muitos milhões. E o que mais intriga é que os observatórios sociais e os meios de comunicação massificam cada fato, depois que a poeira baixa, fica tudo por isso mesmo. E os protagonistas da apropriação indevida não devolvem dinheiro algum aos cofres públicos.
Foi assim com os ex-deputados Robgol, Domingos Juvenil e Mário Couto (que hoje é senador da República). E, certamente, terá o mesmo destino o caso do atual deputado estadual Pastor Divino.
Estudos apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE no ano passado mostram que o país tem hoje 16,27% da população brasileira vivendo em situação de extrema pobreza, ou seja, um brasileiro a cada grupo de dez pessoas está inserido neste contexto. Aqui, na região Norte, esse número é de 2,65 milhões de pessoas que não tem renda alguma e, certamente, não tem o que comer todos os dias.
Se o dinheiro que escorre pelo ralo da corrupção para os bolsos de políticos inescrupulosos fosse investido em comida, por exemplo, nossa região teria pouca gente vivendo em situação de extrema pobreza. Como é muito dinheiro, vou tomar como parâmetro apenas os convênios celebrados entre a Alepa e entidades não governamentais nos últimos dez anos, e o esquema de gratificações fictícias para engordar remunerações de funcionários fantasmas na gestão de Mário Couto. Se somada toda essa dinheirama, passará de UM BILHÃO de reais. Nem a mega sena acumulada paga tão bem e tão fácil assim.
Quantas quentinhas – que hoje tem custo médio de R$ 7 – daria para comprar com um bilhão de reais? Quantas pessoas e por quanto tempo seriam alimentadas com esse montante? Mas além da fome e da miséria outras mazelas atormentam a vida de quem mora em nosso Estado: a falta de infraestrutura de transporte; malha viária; segurança pública; saúde e educação. Para sanar essas e outras situações o governo diz que não tem dinheiro.
Talvez a Alepa esteja seguindo à risca a definição baseada na defesa do senador José Sarney (2009) mediante os sucessivos escândalos em função dos atos secretos naquele Poder. Quando instigado pelos colegas paramentares, o senador usou a tribuna e se defendeu alegando: “Que crise? Se há, ela não é minha, ela é do Senado!”. Partindo deste pressuposto, ele talvez esteja certo. O fato só vem comprovar que as Câmaras Legislativas país afora sejam uma coisa e seus representantes sejam outra.
A relação entre eleitor e seus representantes não se esgota o se limita ao período de campanha. O problema é que uma vez passado este processo, os políticos são esquecidos, não são cobrados ou não prestam contas do que fazem com o mandato que o cidadão-eleitor lhe outorgou. Desta forma, eles se sentem livres para fazer como bem entendem com o mandato e com o dinheiro público. Exemplos não nos faltam...

sábado, 4 de agosto de 2012

Todos, menos eu!

by Haroldo Gomes
Creio que uma minoria já se deu conta de que vivemos procurando analogias para justificar erros que comentemos com frequência. Parece que tem algo a ver com a genética. Tanto que passa de pai para filho. Pelo menos no discurso afinado. Nós ainda não existíamos, mas nossos pais e avós já diziam que: “na nossa época era tudo diferente. Não existia nada dessas coisas modernas e complicadas de hoje em dia”.
De repente, num piscar de olhos, tudo mudou. As coisas, os gostos, as pessoas, os hábitos. Menos a gente, claro. Parece que o tempo parou e nós não acompanhamos, ou não fazemos parte da mudança e das coisas que julgamos ser ruim. Continuamos os mesmos vendo tudo acontecer sem esboçar poder algum de reação. Com exceção de apontar o que achamos errado.
De fato muita coisa mudou e continua mudando na rua em que moramos, no bairro, na cidade, no país. Ele está cada dia mais violento, mais corrupto, mais negligente. E a culpa é dos outros. Isso porque só o vizinho dá o carro para o filho menor de idade dirigir sabendo que é crime. Que só o vizinho furta energia elétrica e fura a fila do caixa eletrônico. Que dirige sem o cinto de segurança falando ao celular e quando é flagrado para não ser multado suborna o agente de trânsito sem nenhum pudor ou sentimento de culpa por alimentar um dos maiores cânceres da sociedade contemporânea: a corrupção.
Outra coisa que se pratica muito e que se acha simples em nosso país é o ato cultural de votar no candidato “a” ou “b” se receber algo em troca. Em resumo, o que o candidato faz com o mandato pouco importa para quem vendeu o voto. Quando a imprensa divulga fatos recorrentes de escândalos envolvendo políticos o que mais se houve deste tipo de cidadão é que “todo político é ladrão”. Mas afinal, quem é mais ladrão nessa historinha sem fim, aquele que vendeu ou aqueles que compraram o que não tem preço?
Nada muda se esse exercício não começar pela gente. Do jeito que caminhamos nos aproximamos cada vez mais da utopia. Já que é mais fácil esperar que os outros façam sua parte para melhorar a vida em sociedade, o mundo; enquanto a gente se exime das possíveis culpa. Até quando?