sábado, 18 de julho de 2015

Dicas de verão_18_07_2015

Os encantos da Comunidade Catumbi, em Santa Izabel do Pará, no Nordeste paraense!




Em tempos de férias escolares e de descanso, a maioria prefere mesmo o frenesi das praias. Enquanto a outra parte procura outros atrativos, como cidade banhadas por igarapés de água doce, onde se pode aproveitar esta época com a devida tranquilidade e longe da correria. Uma dessas opções fica na Comunidade Catumbi, a 33 quilômetros da sede de Santa Izabel do Pará, no Nordeste paraense.
Para chegar lá é preciso seguir pela PA-140, todas as entradas estão devidamente identificadas com placas. Depois disso, é só seguir por estrada de chão, por cerca de sete quilômetros, e pronto! A Comunidade Catumbi é banhada pelo Rio Caraparu (que dispensa maiores apresentações).
Para quem gosta de trilha sonora do tipo canto dos pássaros, dos sons produzidos pelos estalos das copas das árvores bailando ao vento, o convite tá feito. Aproveite, ainda faltam 15 dias para o fim das férias!##THO HG




sexta-feira, 10 de julho de 2015

Crônica da semana_10_07_2015

Só pra contrariar!

É verdade, é uma alusão à banda de pagode liderada pelo cantor Alexandre Pires, famosa nos anos 90, que tinha como sigla SPC. A relação eu explico a seguir. Pode-se subentender também com aquele órgão de perseguição ao consumidor, digo, de proteção ao crédito.
Ontem ao visitar um amigo, antes que ele pudesse me cumprimentar, deu atenção, primeiro, ao celular. Claro que ele não sabia o que lhe esperava. Ao perceber que vibrava o aparelho de celular, no bolso da bermuda, mais que de pressa foi conferir. Segundo a sua reação, não esperava por más notícias naquele momento, em pleno fim de tarde de verão, justo quando planejava sair para aproveitar o período, que é cercado de possibilidades de lazer e diversão.
O conteúdo da mensagem indesejada dizia, “Informamos, caro cliente, que seu nome passou a constar a lista do Serviço de Proteção ao Crédito – SPC”. As redes sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas facilitam tudo, até para trazer notícias desagradáveis. Faz parte!
O fato me fez lembrar que a tecnologia chegou para facilitar tudo, ou quase, em nossas vidas. É o que prometem. É fatura virtual, cobrança, lembrete de data de vencimento, fechamento de fatura (tudo em SMS) etc.
É verdade que muitos teimam em abusar do “esquecimento” como argumento para não pagar. Que não é o caso do meu amigo. O problema é que toda essa facilidade tem custos para o consumidor. Várias instituições bancárias estão oferecendo a troca da fatura em papel pela fatura digital. Isso em nome do meio ambiente; já para o bolso do consumidor, não muda nada. Pelo contrário, as despesas só aumentam!
Mas retomando o caso do amigo, lá do início desta narrativa, quando ele recebeu a SMS do órgão credor, informando que seu nome estava no SPC. Com uma boa dose de humor, ele relacionou rapidamente a banda SPC com o Órgão de Proteção do Crédito, e disparou, “é meu amigo, depois que o Alexandre Pires deixou o SPC, bagunçou o coreto”.
A vida como ela é exige doses de bom humor e uma pitada de lirismo para que fique menos tensa e traumática. A esperança, pelo menos para o caso do meu amigo é que o Alexandre Pires retornou ao SPC, no ano passado, mas apenas para a turnê comemorativa aos 25 anos da banda. Quanto ao outro, continua implacável, ainda mais em tempos de inflação e vacas com os ossos à mostra. O raro hoje em dia é quem não esteja na lista dele, e aí sim, só contrariando a tendência. 

Por Haroldo Gomes

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Crônica da Semana_04_07_2015

Delação premiada é crime?

Por Haroldo Gomes

A Constituição Federal é clara ao assegurar o direito à ampla defesa a qualquer cidadão até sua condenação em definitivo. Enquanto isso não ocorre, existem muitas outras brechas e alternativas, a delação premiada é uma delas, que é um acordo firmado com o Ministério Público e a Polícia Federal pelo qual o réu ou suspeito de cometer crimes se compromete a colaborar com as investigações e denunciar os integrantes da organização criminosa em troca de benefícios, como redução da pena. Essa colaboração está prevista na lei 12.805, de 5 de agosto de 2013. Qualquer forma de condenação prévia constitui crime.
Como é de praxe no Brasil, o acusado se defende atacando, ou ignorando os fatos, assim como fez a presidente Dilma Rousseff esta semana, ao comparar o que passara durante a Ditadura Militar com o momento presente, em plena democracia, segundo a qual, "eu não respeito um delator, até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora, a ditadura fazia isso com as pessoas. A gente tem de resistir porque senão você entrega. Não respeito nenhum, nenhuma fala".
Pois bem, talvez sua fala tenha sido vista e interpretada como bela e de profundo efeito pelos seus próceres e simpatizantes, que ignoram a justiça brasileira. Porém, essa tem sido a tática trivial usada pela maioria dos mandatários de cargos eletivos do Partido dos Trabalhadores (PT) quando “apertados” por investigações do Ministério Público ou da Polícia Federal. Foi assim durante o mensalão, e agora mais ainda com o petrolão.
Desfaçatez a parte, uma das hipóteses para a declaração, não deixa dúvidas, fica claro que ao ignorar o delator, a metralhadora de Dilma mira a Polícia Federal de que supostamente esteja obrigando ou coagindo o delator a entregá-la, ou traduzindo melhor, incriminá-la.
Outro objeto que constitui sua defesa é a de reprovar o que chamou de “vazamento seletivo” de informações privilegiadas para determinados jornalistas e veículos de comunicação. Neste caso, a culpa é da imprensa “ninja” que também a persegue. Que, aliás, não está sozinha, pois o ex-presidente e um dos fundadores da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva, deve receber também a pecha de perseguidor do governo Dilma, afinal, ele tem feito críticas ásperas ao governo de sua pupila. O objetivo seria o mesmo? Há alguma relação? Ou é mais um jogo de cena?
Muitos duvidam e juram de pés juntos até hoje que o mensalão não existiu. É um direito, afinal, tem gente que duvida até da existência de Deus! Para que se cumpra o ritual é preciso dedicação profunda, profissionalismo e investigação. Até porque não existe crime perfeito, existe crime mal investigado. Quanto ao rito de investigar, os órgãos competentes estão fazendo suas partes. Ao fim, saberemos se foram ou não legais as doações milionárias para às campanhas petistas, se elas tiveram ou não relação com o rombo da Petrobras.

O caso é complexo, mas cabe perfeitamente numa premissa jurídica: o que não está nos autos, não está no mundo. Se está, os investigadores, ou melhor, traduzindo o verbete jornalismo, vão de alguma forma transformar num mote de informação e colocá-la em debate, fomentar a opinião pública. E neste momento, de mais um caso emblemático, como tantos outros existentes em Brasília, me fez lembrar uma fala do ex-senador, ex-governador e ex-ministro de estado Jarbas Passarinho, que dizia que “todo fato tem pelo menos três versões, a minha, a sua e a verdadeira”. Uma hora essa terceira opção se revela. Até lá, cada um faz sua parte, o polícia investiga, os delatores colaboram, a imprensa publica os fatos, e cada cidadão lê, interpreta e forma a sua opinião. Você já tem a sua? 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Crônica da semana_26_06_2015

A redução da maioridade penal é a solução!?

Quem utiliza transporte coletivo todos os dias sabe que ele se parece com um confessionário ambulante. Além da barulheira da lataria trepidando em meio às ruas esburacadas, ouve-se e fala-se de tudo um pouco... No meu itinerário que dura algo em torno 45 minutos, na semana passada, fui abordado por uma amiga que me recebeu, ao sentar ao seu lado, com uma pergunta inusitada, “você é contra ou a favor da redução da maioridade penal”?
A princípio eu disse a ela que não tinha formado opinião sobre o assunto. E de fato ainda não tinha, até aquele momento. Contudo, retruquei: você tem? Mais que depressa ela desbloqueou seu celular e me fez ler o que havia postado na sua página em uma rede social, onde ela se posiciona contra.
Como ao vivo, olho no olho, é mais prático, embora para muitas pessoas seja embaraçoso explicar, mas já que estávamos ali, foi inevitável. Então, sugeri que justificasse os por quês de sua posição sobre o tema.
De certa forma ela me ajudou a formar a minha opinião fazendo mais ponderações: amigo, há emprego para a maioria dos pais, para que eles possam de alguma forma oferecer o mínimo necessário aos seus filhos? Por falta de creches, a maioria deixa seus filhos a sós em casa ou na casa dos outros para poderem trabalhar. O que os filhos fazem nesse entremeio? Quando os filhos erram, a culpa é simplesmente dos pais? E quando eles são apreendidos, e a eles a Justiça imputa medidas socioeducativas, há espaço para todos, para que eles possam de fato sair de lá preparados para a sociedade?
Os governos vivem dizendo que não há dinheiro para isso e para aquilo. Todavia, é roubo para cá, corrupção pra lá, e o nosso dinheiro indo para os bolsos deles. Enquanto isso, os problemas vão sendo empurrados para baixo do tapete, diante de nossos narizes. Uma vez aprovada a redução da maioridade penal o estado vai se eximir ainda mais de suas responsabilidades, uma vez que não consegue cuidar nem dos adultos. Se nosso sistema carcerário de fato recuperasse, os presídios não estariam tão abarrotados como estão.
Após ouvi-la atentamente e ao acompanhar o embate pelos jornais nas últimas semanas, cheguei à conclusão de que ela está certíssima. É notório que a maioria das famílias brasileiras nasce sem o devido planejamento. Os fatores são os mais diversos. Na maioria das vezes a motivação é a gravidez precoce ou indesejada. O fato é que não é estruturada com a atenção devida, como se faz com toda edificação. Da mesma forma caminha o debate sobre o tema.
A situação é complexa e embaraçosa. É conveniente e oportuno questionar quem ajudou a destruir os princípios e os valores familiares para que essa instituição se desestruturasse a tal ponto? Há um ditado popular que diz que “o costume de casa se leva à praça”. Como uma bola de neve ladeira a baixo os maus hábitos, os maus exemplos foram e continuam sendo repassados aos adolescentes, tanto que o problema atingiu todas as camadas sociais. Inclusive às escolas, ou seja, o fundo do poço.
Para que haja mudanças é necessário dar o primeiro passo: resgatar a importância da família e seus valores, reconhecer os erros, ao invés de procurar transferir as culpas. Se quem rouba milhões, mata milhões, todos os dias quem se utiliza dessa conduta ajuda a aumentar o contingente de vitimas que não consegue acessar seus direitos, principalmente os adolescentes; a outra parte quando não morre, entra em conflitos com a justiça. Qual o melhor caminho, a cadeia ou a escola?  
No percurso de casa ao trabalho se pode fazer muitas coisas... Inclusive, se informar para poder formar opinião sobre a redução ou não da maioridade penal. E você, já tem opinião formada?
Enquanto isso, o ônibus e a viagem seguem... Quanto a mim, desço aqui, afinal de contas, tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorista!

Por Haroldo Gomes

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Falou tá falado!
By Haroldo Gomes

A maioria das pessoas não da ouvidos ao que os políticos dizem. Tal desprezo se deve, em parte, pela obrigatoriedade do voto e o descrédito da classe política. Entretanto, a um grande abismo que separa promessa de planos de governo. Em geral, em quase 100 por cento dos casos, ocorre com a primeira opção. E tanto faz como tanto fez...
O palhaço e dublê de cantor Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, fez campanha pedindo voto aos eleitores sob o argumento de que "Pior que está não fica". Resultado: o país piorou consideravelmente e ele deu sua parcela de contribuição para isso. Fez mais promessas e se reelegeu em 2014. 
Mesmo com regimentos que buscam disciplinar excessos de políticos, volta e meia vossas excelências ignoram e quebram o decoro, colocam seus dedos em riste, ou por outra, falam o que de fato lhes convém. Ganham notoriedade por não terem papas nas línguas. E suas falas, são dadas como certas para ficar entre aspas, em destaque, ao provocarem a opinião pública e os adversários políticos.
O baixinho Romário em quanto jogador de futebol sempre foi polêmico. Há cinco anos na vida pública, agora como senador da República, mostra que está em plena forma. O ex-atacante demonstrou toda sua insatisfação com seus pares no Congresso ao fazer a seguinte declaração: “Achava que política era só ladrão e sacanagem. E acertei”. Vindo de uma autoridade, a declaração causa espanto mais ainda. Perfeitamente justificável, afinal, a maioria de seus colegas congressistas está no epicentro de escândalos, o “petrolão” é a bola da vez, além de tantos outros. Lembrando ao nobre parlamentar que esse é só seu primeiro ano no Senado, ainda tem mais sete pela frente. É bom colocar as barbas de molho!
Imagino que, você que leu até aqui, deva esta imaginado que eu esqueceria do rei dos clichês absurdos: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Se pensou, enganou-se!
Lula já foi crítico árduo dos políticos, em 1993 ele disse que “há no congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”. O clichê foi musicado pelos Paralamas do Sucesso dois anos depois. “Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou, são 300 picaretas com anel de doutor (...)”. Ao entrar para a política, Lula esquecera o que falara. É bom que se diga, não existe discurso em vão ou à toa. Todos, por mais tolos que sejam, têm suas intenções, assim como seu locutor.
Promessas são só promessas. Tiririca já aprendeu o que faz e o que não faz um deputado federal. Errou mais ainda em não ter voltado para nos contar, como prometera. Romário voltou atrás de seu clichê e disse que "cometeu uma injustiça" por ter se empolgado. Quanto a Lula, nunca viu, nunca soube de nada. Só esqueceu que dos quase 600 congressistas, mais da metade dos “picaretas com anel de doutor” lhe serviu de base de sustentação em seus dois governos, e continua, agora, com sua sucessora.
As memórias, individual ou coletiva, existem para nos ajudar a resgatar o que e por que se falou. Negá-las ou reafirmá-las. Políticos têm o hábito de falar muito, além disso, uma vez instalados na política só saem de duas maneiras: após a morte ou quando não reeleitos. O poder fascina e arrebata, tanto que quem está dentro não quer sair; e quem está fora quer voltar. Fato é, falou tá falado!

domingo, 5 de abril de 2015

Crônica da semana_05_04_2015


 mesmo milagre para manter algumas tradições vivas

Por Haroldo Gomes

A coisa está feia financeiramente para todo mundo, até mesmo para os corruptos e corruptores investigados pelos vários esquemas fraudulentos espalhados país afora, a exemplo do “petrolão”. No caso deles, é pela possibilidade de terem que devolver os bilhões roubados dos cofres públicos, ou terem que ir para a cadeia. Essa segunda opção é quase remota. É bem verdade também que os economistas e a equipe econômica do governo federal não gostam do termo INFLAÇÃO, fica mais suave substituir por recessão econômica. Um bom exemplo é o trocadilho da Comédia da Vida Privada, segundo a qual: “Inflação é quando o dinheiro do bolso não vale nada; já a recessão é quando o dinheiro vale, mas não está no bolso”. 
Tudo indica que nosso calvário está só começando. Por conta da disparada do preço do dólar que impacta diretamente nos preços de produtos importados, como o trigo e seus derivados; tanto que comer o tradicional pão francês (também conhecido como careca) no café da manhã, ou até mesmo em substituição em outras refeições ao longo do dia, vai ficar mais caro e mais difícil mantê-lo à mesa todos os dias. Têm ainda outros dois fatores que contribuem para a alta do preço final do produto: um é o dissídio coletivo dos funcionários das padarias; o outro, a alta da tarifa da energia elétrica.
Todavia, tradição é tradição. Mantê-las vivas têm suas implicações, seja de cunho pessoal, religioso ou quaisquer outras, de certa forma, elas esbarram em algum momento no aspecto financeiro. Os cristãos católicos têm como tradição, nesta época do ano, durante a Semana Santa, comer peixe. Embora nosso estado seja rico na produção de pescado, devido à localização geográfica e banhado por águas, paradoxalmente o preço do alimento que já estava caro, agora disparou. Com a taxa da inflação às alturas, melhor dizendo, com a recessão econômica, comer peixe vai custar caro. Manter assa tradição vai doer no bolso. Uma alternativa e substituir pelo frango, que ainda tem preço relativamente mais em conta. 
Na obra “Os homens e as ruínas”, do escritor italiano Julius Evola, ele cita o pensador português António Sardinha, devido à forma como o mesmo define tradição. Para ele, tradição não é apenas o passado, e, sim, a “permanência no desenvolvimento, a permanência na continuidade”.
O “xis” da questão é que o cenário econômico brasileiro na atual conjuntura não favorece nem um pouco para a manutenção de certas tradições, como a de comer peixe e ter o pão todo dia à mesa. E nesta época do ano ainda tem a Páscoa. Já que coelhos não colocam ovos, não custa nada trocá-los por barras, mas barato e simbolicamente dá no mesmo.
Ora, para que tradições, como as citadas anteriormente, sejam mantidas, só se promovendo milagres. A exemplo da multiplicação dos pães, ocorrido há mais de dois mil anos. Segundo narrativa bíblica, cinco pães e dois peixes alimentaram mais de cinco mil homens e ainda sobrou. No momento, com a desvalorização do real frente ao dólar, com a inflação, o salário fica cada vez mínimo e o seu poder de fazer algum milagre é quase zero, para não dizer inacreditável!  

domingo, 15 de março de 2015

Artigo da Semana_15_Março_2015

É hora de dar a cara a tapa outra vez. Vamos pra rua?


Por Haroldo Gomes


O que levou o Brasil a mergulhar numa onda de incertezas e instabilidades política e econômica de uma hora para a outra? As mesmas coisas de outrora. Podem e devem responder os jovens estudantes que há 23 anos tomaram uma atitude e resolveram se vestir de preto e pintar as caras e sair às ruas em sinal de protesto em reação a uma provocação do então presidente Fernando Collor de Melo. Os pedidos surtiram efeito e contribuíram para que ocorresse o primeiro impeachment da história política do Brasil.
Erros não se justificam; explicam-se. É isso que as pessoas de bom senso esperam das CPIs e das investigações da “Operação Lava Jato” da Polícia Federal que deflagrou uma enxurrada de denúncias de corrupção na Petrobras. Claro, cada caso é um caso, e depende do grau do erro. O fato é que erro é erro!
Durante a campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff (2014), ela declarou varias vezes em entrevistas e debates que não permitiria que seu adversário fizesse com o Brasil o que ela mesma e o seu governo estão fazendo. Para enfatizar suas falsas promessas usou o clichê: “Nem que a vaca tussa!”. Mal tomou posse para seu segundo mandato e a vaca tossiu, provocando reações imediatas contra seus atos governamentais.
Boa parte da classe política brasileira demonstra que não aprendeu e não quer aprender com os erros cometidos por seus pares. Por isso que fatos vergonhosos como o que ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor continuam a virar manchetes de jornais. Creio que isso se deva em partes ao comodismo e a passividade como a maioria dos cidadãos entendem a democracia e sua funcionalidade. Haja vista que da forma como estar disposta, subentende-se que o poder emana dos políticos para o povo; e não do povo para os políticos. Os políticos são servidores públicos.
A geração dos caras-pintadas cresceu e se tornou adulta. Hoje, são senhoras e senhores que estão diante de uma nova encruzilhada. As motivações são parecidas; entretanto, a juventude de hoje não quer só dizer “Vem pra rua!” e “Fora, Dilma!”, ela quer mais, quer dizer basta à epidemia chamada corrupção, que não é exclusividade dos políticos e de governos “a” ou “b”, mas que já se institucionalizou nas demais esferas de poder, comprometendo o crescimento econômico do país e investimentos em setores prioritários.
Determinados atos representam o estopim, como o pano vermelho diante do touro bravo.  Collor prometeu em vão que “Iria matar o tigre da inflação com um só tiro”. Assim como ele, a maioria dos políticos fala demais, promete demais, e, em geral, cumpre de menos. Dilma Rousseff – na campanha passada – acusou seu adversário de tudo aquilo e algo mais que ela está fazendo agora. E para tampar o buraco aberto com os gastos exorbitantes da campanha que a reelegeu, resolveu arrochar o contribuinte aumentando os impostos. Pra piorar a situação, ainda cortou investimentos em setores prioritários, como a saúde e a educação.
Em repudio às medidas adotadas pelo governo petista, vários setores da sociedade civil organizada, como os caminhoneiros deram início às manifestações país afora. Uma ampla mobilização teve início por meio das redes sociais conclamando a população para ir às ruas no próximo domingo (15/03) dizer que estar insatisfeita e quer mudanças. Várias cidades do país, a exemplo de Castanhal, engrossam o movimento.
O que une as pessoas em torno das mobilizações de agora?
Algumas teorias dão conta de que aprendemos mais e melhor pelos exemplos práticos. Diante desta constatação, pode-se dizer que os ensinamentos deixados pelas mobilizações das “Diretas, Já!” e dos “caras-pintadas” encontraram paralelo agora!
Este raciocínio se encaminha para sua conclusão. Quanto ao seu objetivo, ele não se esgota aqui. Afinal, o que me move, assim como a maioria dos brasileiros neste momento é a esperança de só voltarmos a ler e falarmos em exílio, em ditadura, em país da recessão econômica através de livros e jornais.
E como diz a canção “Pedras que Cantam”, de Raimundo Fagner, em determinada estrofe: “Vamos pra frente, que pra trás não dá mais...”. Que assim seja e que as mobilizações surtam os efeitos esperados. Que não parem por aqui. Motivos não faltam!