quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CRÔNICA DA SEMANA_15_12_2016_THO HG

Ontem fui à livraria


Algo de mais em ir a uma livraria? Depende! A resposta é relativa. Talvez seja porque não encontramos livros e livrarias em toda parte e muito menos um grande número de títulos como a que encontrei ontem. Fato é que entrei nessa viagem por acaso. Uma possível explicação seja o clima de fim de ano. Estava eu apenas acompanhando a família num passeio pela capital, e em dado momento minha sobrinha teimou em querer ganhar de presente um livro. Quando me dei conta estava em meio a eles, folheando-os com a mesma sensação que uma criança tem quando ganha um brinquedo.
Entre Nélidas, Ferreiras, Maxes Martins, Rubens Alves, Pessoas, Clarices, Veríssimos, e tantas outras obras de cânones da literatura brasileira minha decepção só não foi maior porque eles não tinham o preço expresso, como é comum nas livrarias que havia visitado até então. Quando indaguei ao vendedor, fui informado que era só passar o código de barras numa maquininha leitora próximo ao caixa. Por estar descapitalizado naquele momento, foi até melhor não saber mesmo.
Do momento da concepção à distribuição há um longo caminho que os livros percorrem até chegarem em nossas mãos. Acho que é por isso que não temos lá aquela habilidade com a leitura e com os livros. Além de caros, encontrar boas livrarias em nosso estado é como procurar agulhas no palheiro. Mas naquele momento único, em meio à procura do que nem sabia o que procurava me vieram alguns devaneios:
Um deles foi me perguntar por que meu livro ainda não estava ali, no meio daquelas obras? É, tenho um livro de crônicas revisado, diagramado, pronto para a impressão: é um apanhado de escritos ao longo de vinte anos em que me aventuro a escrever. Mas antes disso tem aquela barreira que é o lado financeiro; na outra ponta da situação tem ainda o mercado com suas burocracias que freia nossas intenções de materializar tais desejos. Pensamentos vãs, e eu, ali, encantado, pegando cada um deles como se pega um cristal fino com o receio quebrá-lo.
Naquele momento ímpar me veio também outras memórias, como o convite para fazer parte de Academia de Letras. E eu convicto com o propósito relutante de sempre, e reafirmo: sem obra, não existe escritor. Salvo engano após morte, que é quando surgem interesses e a coisa anda, enquanto o autor perece no túmulo. Todo grupo social tem suas vaidades veladas, e isso me fez lembrar do saudoso Ferreira Gullar que também resistiu muito até fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Ele devia ter os seus motivos, embora tenha escrito e publicado suas obras ao longo de sua vida. Mas, enfim, muita gente prefere o mérito sem ter algo que o justifique.
Depois de algumas horas percorrendo prateleiras, livros e mais livros, fui convidado a acordar com a sutil dica de que era hora de irmos embora. Tudo que é bom tem data de validade; a minha acabara ali. Ao menos por alguns instantes pude sonhar, reviver o encantamento de respirar livros, e descobrir nova opção quando puder adquirir alguns títulos para o meu acervo, ou como presente.
Imagino que você que leu até aqui certamente deve estar se perguntando: se eu não tinha dinheiro, como minha sobrinha saiu da livraria com o presente desejado? Bem, uma coisa posso adiantar: não furtei o livro, porém, informo-lhe que isso é assunto para outra crônica. Afinal, quem tem boca vai à livraria, e quem tem cartão pode debitar por dezenas de parcelas a perder de vista. Só não podemos perder o espírito natalino nessa época do ano e deixar um parente sem presente!

Por Haroldo Gomes 

sábado, 10 de dezembro de 2016

REPORTAGEM DA SEMANA_10_12_2016_THO HG

Redução salarial dos vereadores. Câmara garante que dará parecer ao Movimento de Ocupação nesta terça
O presidente da Casa, Sérgio Leal juntamente com o setor jurídico garantiu aos representantes do Movimento de Ocupação da Câmara que o parecer, seja contrário ou a favor, será dado nesta terça-feira, dia 13, quando ocorrerá a última Sessão Ordinária desta Legislatura.
O embate começou há quase de dois meses, quando os vereadores tentaram aumentar seus subsídios. Devido à pressão da opinião pública voltaram a trás e fixaram o teto em R$ 11.755,52. Porém, após a invasão do prédio da Câmara foi criado um movimento suprapartidário com representantes de vários segmentos sociais e profissionais que angariou mais de 40 mil assinaturas, o que redundou em um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que pede a redução dos proventos dos vereadores para 5 salários mínimos, o que equivale hoje a R$ 4.400 por mês.
Após a desocupação do prédio, as lideranças do Movimento vinham tentando reunir com a mesa diretora para cobrar um parecer e estabelecer uma data para o Projeto ir à plenário para votação. Todavia, o que percebemos é que não há nenhum esforço nesse sentido por parte dos vereadores. Dos parlamentares que ouvimos, apenas os que não se reelegeram é que mostraram algum interesse. Ouvimos também, advogados e ex-vereadores sobre o assunto, e todos foram unânimes: “como o projeto não onera as despesas do município, ele pode ser votado, a qualquer momento, inclusive no início do ano que vem. Para isso, basta que a mesa diretora tenha interesse”.
Segundo Ruth Lopes, do Movimento de Ocupação, “seja qual for o posicionamento dos vereadores, estaremos em peso à sessão desta terça-feira (13/12). Será um dia de grande movimentação em Castanhal e no país, por conta da segunda e última votação da PEC 55, no Senado. Da Câmara seguiremos para a concentração na Praça da Igreja Matriz, onde a partir 16h ocorrerá uma grande mobilização com apresentações artística-culturais. Quando Reafirmaremos nosso NÃO à PEC do retrocesso”.

Por Haroldo Gomes 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

CRÔNICA DA SEMANA_26_10_2016_THO HAGAGÊ

A memória é o bilhete de passagem que permite viajar pelo tempo
Se você pudesse voltar no tempo e tivesse a oportunidade de rever e refazer algo que desse para mudar o final, o que você mudaria na sua história de vida? Viajar pelo tempo passado é um dos grandes sonhos do homem moderno (ainda muito distante). Se bem que outros ignoram o que passou e querem mesmo é ir logo ao futuro. Esse é um assunto que ainda vai gerar muita controversa.
Por enquanto, o que nos resta como recurso para deslocamento pelo tempo é a memória. Quem viveu e aproveitou cada momento da vida tem como ir ao passado facilmente. Para muitos é o que se chama de saudosismo. Assim, como recordar é viver, embora muitos prefiram completar o trocadilho com o verbo sofrer. Afinal, gosto não se discute. Acata-se.
Recorri a esta introdução por conta de que numa manhã de sábado recente, ao acordar, desloquei a mão para baixo do travesseiro para ver que horas eram. Então peguei aquele aparelhinho que mesmo quando a gente não quer sua presença, a necessidade o traz de volta para perto da gente. Amanhecer ouvindo uma boa música é relaxante, fundamental. Hábitos que só ocorrem aos sábados e nos feriados.
Queria ouvir naquela manhã um daqueles clássicos do Genesis que hoje só se ouve se tivermos um bom acervo, ou recorremos à rede. A canção abriu a porta do tempo que me levou aos anos 1980; justo naquela época em que para se ter acesso às músicas internacionais era uma agonia danada. Lembrei-me também de onde tudo partiu: da Rádio Modelo FM. A primeira rádio local que entrou no ar em fase experimental em meados de 1981, e em definitivo no ano seguinte. Tudo que é novo mexe de alguma forma com nossos brios. Para não depender da rádio que tocava as mesmas músicas uma ou duas vezes ao dia (a espera era num martírio). O jeito, então, era recorrer à tecnologia disponível na época: a fita k7, onde gravávamos as preferidas, e, assim, ouvi-las quantas vezes desejássemos.
Mas nem sempre esse processo ocorria como pretendíamos. Em geral, no meio das músicas a rádio soltava uma vinheta, o que jogava por terra todo o trabalho. A ação é conhecida até hoje por “queimar a música”. Se a fita fosse de boa qualidade podíamos regravá-las muitas vezes. Anos depois chegou a Castanhal uma loja chamada Musical Magazine. Era o point. Os vinis com aquelas capas antológicos era uma redenção para quem apreciava boa música, mesmo que não tivesse um toca discos. A sacada era procurar os amigos que tinham uma e a viagem passava a ser coletiva. A loja era o reduto para se conseguir também gravar as músicas sem as tais vinhetas. Quando não haviam os discos desejados, a gente encomendava. O que levava até um mês para chegar.
Com o celular em mãos e a música de fundo refleti o quanto ele contribuiu para mudar nossas rotinas. Cheio de recursos tecnológicos, como armazenar, baixar e compartilhar músicas, não é nenhuma máquina do tempo capaz de nos transportar por ele; porém, ajuda-nos com extrema facilidade a encontrar aquela trilha sonora que estrelou grandes e bons momentos de outrora. Ação que por si só já é uma vagem. Quanto ao tempo, passado ou futuro, isso depende do passageiro.
Por Haroldo Gomes 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

CRÔNICA DA SEMANA_14_10_2016_THO HAGAGÊ

As vozes das urnas

Por: Haroldo Gomes 
As eleições para escolha de representantes de cargos eletivos é uma das poucas e raras ocasiões em que o eleitor-cidadão de fato tem seus direitos resguardados através do voto. Embora ainda seja obrigatório em nosso país. Um contrassenso desde que o país reencontrou o caminho da democracia e passou a ter eleições diretas. Em cada uma delas fatos novos vêm ocorrendo. Com a deste ano não foi diferente. E foram muitos...
Passado o pleito, enquanto a maioria dos eleitos já monta suas equipes de governo e de transição, outros afinam o discurso de posse e a beca para sair bem na foto oficial. A exceção é a capital, Belém, onde haverá segundo turno para a escolha do prefeito para os próximos quatro anos. Porém, as lições deixadas ainda vão demorar para serem digeridas, principalmente por parte de quem foi vencido. Daqui a quatro anos o ciclo se abre outra vez. Se não houver mudança na lei até lá, metade desses imbróglios cai por terra, já que não teremos mais reeleição.
Embora tenhamos ouvido falar veementemente através da imprensa a respeito da suposta reforma eleitoral, ela nos parece ainda muito utópica. Com ampla incapacidade de coibir que candidatos presidiários concorram e tenham que ser escoltados e algemados em camburão da polícia até o local de votação; outros, respondendo a processos criminais ou na Lei da Ficha Limpa. Em meio a essas e tantas outras mazelas muitos se elegeram. De olho no poder, na influência, no foro privilegiado, até o crime organizado se faz representado ‘legalmente através da política’ a partir de primeiro de janeiro de 2017 por meio das inusitadas vossas excelências.
Em muitos municípios país afora o capital financeiro continua a fazer a diferença e a desequilibrar a balança ao influenciar o eleitor na hora de apertar o botão da urna. A prática do Voto do Cabresto hoje está mais para escambo – devido à mão ausente do estado em vários setores, dessa forma expõem as necessidades básicas que são trocadas pelo voto. Dessa forma, abrem-se caminhos para que muitos espertos se aproveitem deste artifício para negociar o voto e, consequentemente, se eleger -. Por outro lado, vimos o crescente aumento dos votos brancos, nulos e abstenções, uma clara sinalização de que se nada for feito, muito em breve chegará o momento em que apenas os candidatos, seus familiares e agregados irão votar; o que não impedirá que eles se elejam mesmo assim. É preciso refletir!
E as pesquisas de intenção de voto? Em alguns cenários, nem mesmo elas conseguiram reverter a vantagem em favor dos vencedores. O que deixou velado mais uma vez que eram apenas farsas. Por outro lado, continuam surgindo institutos de pesquisas de véspera de eleições espalhando-as com claras intenções: induzirem os leitores indecisos - que ainda votam nos candidatos que estão na frente. Três exemplos claros ocorrerem em Belém, Castanhal e Santa Izabel. Onde as pesquisas erraram feio!
Nesse emaranhado de fatores adversos, muitos escapam aos nossos olhos e compreensão. Vimos candidatos sem palanque, sem muito dinheiro, só com a força de vontade e a ajuda cada vez mais voraz das redes sociais desbancarem grandes e tradicionalíssimos candidatos, e consequentemente suas campanhas milionárias. Tudo isso vem reforça que algo está mudando. É muito pouco e quase imperceptível a olho nu, todavia, já nos servem de alento que apontam na direção de uma democracia mais justa e participativa, de fato e de direito.
Ainda é muito cedo para fazer afirmações pontuais a respeito desse tema. Afinal, em se tratando de política, tudo muda em fração de milésimos de segundos, de um candidato para o outro... Quanto aos ensinamentos deixados pelo pleito mais recente, é uma sinalização de que se quisermos as coisas podem mudar, como o de desconstruir o batido clichê que teima em dizer que “nesse país não se faz política sem dinheiro”.
As antigas práticas coronelistas estão sendo superadas aos poucos. Nas cabines de votação seus serviçais podem votar em quem quiser. Inclusive em branco. Se essa prática virar cultura, enfim, poderemos passar a limpo um passado enlameado por práticas abomináveis. Ainda não é a resposta definitiva, mas já sinaliza mudança de atitude e de postura política. Daqui a dois anos teremos novas eleições e poderemos aferir se o exercício da mudança vai continuar!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

CRÔNICA DA SEMANA_13_09_2016_THO HG

Os fins de semana, nós e o silêncio
Sabe aquele silêncio peculiar do bucolismo, que só é quebrado pelo vento quando colide com as copas das árvores e em nossos rostos? Imagino que muita gente hoje em dia nem saiba mais o que foi ou é o interior. Ainda existe, em pouquíssima quantidade. Ainda é o local onde se pode armar a baladeira no pátio, nos jogar dentro dela, cumprir aquele trajeto, indo e voltando, repetitivamente sem fim, sem se preocupar com muita coisa. Claro, aos fins de semana!  
Esse desejo de fuga se dá em virtude do amplo desgaste no trabalho, da agitação peculiar das cidades, sejam elas grandes ou medianas. É sempre a mesma coisa: longas filas, e mais filas, fila no trânsito, no caixa eletrônico nos bancos, até para ficar na sombra do poste na parada dos ônibus coletivos tem fila. Somando-se a tudo isso o barulho vindo da rua, da casa do vizinho ao lado, dos carros-sons, e até das igrejas. Em toda parte temos que ouvir o que em geral não gostamos. Nem tanto pelo gênero musical, mas pelo excesso de barulho mesmo...
E por falar em trabalho, tive como chefe, algum tempo atrás, um sujeito boa praça de sobrenome Pinto. Durante o convívio, descobri porque quando perguntava se ele moraria em Belém, ele me dizia, “se eu puder evitar, jamais! Eu quero é morar em cidade que tenham menos de 20 mil habitantes”. E eu perguntava, por quê? E ele filosofava cantando a música de Roberta Miranda “Ah! Tô indo agora pra um lugar todinho meu, quero uma rede preguiçosa pra deitar, em minha volta sinfonia de pardais cantando para a majestade, o sabiá”.
Hoje, morando em outra cidade, bem menor que a anterior, compreendo porque meu amigo pensava dessa forma. Quase todos os dias é o mesmo ritual, ao chegar em casa, no fim do dia, no intento de descansar, é justamente quando os vizinhos resolvem acelerar nosso processo de surdez. Isso de um lado, porque de outro, ainda têm as igrejas – dessas que surgem todos os dias, em toda parte. Ou ainda uma terceira via, quando as duas se misturam. Um misto de Deus e o diabo medindo forças sonoramente. Aí a solução é fechar as portas de casa, arregaçar o volume da televisão para poder assistir alguma coisa, ou ir dormir mais cedo.
Usufruir o silêncio não é crime! Considerado um crime ambiental é o excesso de barulho, que nas cidades é motivo de muitas reclamações, na maioria das vezes vira caso de polícia. Agora, imaginemos aquelas pessoas que gostam de ler, um hábito que suplica o silêncio e a concentração, em geral não podem fazer o que sugere a canção “Nenhum dia”, de Djavan, em que devemos arrumar um bom lugar para ler o livro e exercitar a arte de pensar.
É cada vez mais comum aos fins de semana e feriados as estradas de acesso ao litoral no interior do estado virarem uma infindável romaria de veículos, dentro, condutores e passageiros ávidos para chegar ao destino, só para exercitar o descanso regado ao silêncio. Hoje, um bem mais que necessário cada vez mais distante. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

CRÔNICA DA SEMANA_16_08_2016_THO HG

Exercitando manias no fim de semana prolongado
Por Haroldo Gomes 

Com a vida corrida do dia a dia, além do salário no fim de cada mês, existem outros sonhos de consumo do trabalhador, um deles é aquele descanso merecido. Mas isso só é possível de fato quando há feriado prolongado, como o desta segunda-feira (15 de agosto). Quando isso ocorre é certeza de pernas pro ar. Os feriados quando caem na sexta ou na segunda-feira é algo tão esperado quanto o décimo terceiro salário.
Mesmo jogado no sofá ou na rede, sempre vem àquela mania de mexer nas gavetas. Ao revirá-las é inevitável não encontrar o que nem sabia ao certo o que procurava. Quem procura acha! Eu, por exemplo, cansei de ver a maioria indo às compras em busca do presente do pai, enquanto outros se deslocavam rumo ao litoral; mas no vira e revira acabei encontrando dois CD’s antológicos que há muito não os ouvia: uma coletânea de Toquinho e o álbum duplo The Wall, do Pink Floyd.
Em tempos Olímpiadas, um olho na gaveta, outra na televisão. Enquanto isso, no Rio, uma derrota no basquete, um empate no handball e a expectativa para a desconfiada seleção de Neymar mais dez, que prometia no fim de noite. Mas voltemos aos CD’s que era do que falara anteriormente em meio ao ócio remunerado merecido.
O meu exemplar do Pink Floyd estava empoeirado e sujo dado ao tempo em desuso. Quando passei a vista na capa é que me dei conta de que ele está datado a oito de março de 1996. E lá se foram duas décadas! Mexer em coisas antigas sempre me leva ao encontro com as reminiscências. Também faz parte do descanso lembrar algumas coisas boas ocorridas em minha vida. Em alguns casos, revigora muito mais. O álbum é duplo, mas, só um ainda tem algumas faixas que se pode ouvir sem que o leitor não pule, devido ao uso excessivo. Psicodelismo musical na pele!
Descanso combina também com boa música. Como admirador da produção musical brasileira e do gênero Música Popular Brasileira não poderia faltar no acervo obras de Toquinho. Refazendo audições em uma coletânea encontrei a canção “Carta a Tom”. Que me permitiu viajar pelo desabafo das coisas atrozes que até hoje nos acomete. A letra da música se funde à poesia com o clamor pelos valores morais que caíram em desuso. Tanto que chega ao ponto de sugerir que “... só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor...”.
E por falar em amor, o domingão foi Dia dos Pais. Sem grandes alerdes, exceto pelo apelo comercial, foi dia de lembrar meu velho pai que não está mais neste plano; e de mim, que também sou pai. Se os presentes materiais não vieram, pelo menos, ganhei um dia a mais para descansar, afinal, hoje a vida volta ao normal e outro fim de semana prolongado para exercitar essas e outras manias só no ano que vem. Enquanto isso, revigorado para a labuta dos dias que virão.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CRÔNICA_DA_SEMANA_04_18_2016_THO HG

O mês do (des)gosto promete!
Por Haroldo Gomes
O mês de agosto chegou! São os primeiros dias, a primeira semana. E o que isso tem a ver com sorte e azar? Aparentemente nada! Depende mesmo da superstição de cada um. É que virou mania postagens com mensagens de textos e imagens circulando nesse início de semana nas redes sociais e aplicativo de mensagens instantâneas viralizando estereótipos ao oitavo mês do ano.
Tudo não passa de crendice. Em Portugal, as mulheres não casavam em agosto, na época em que os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras. Casar em agosto significava ficar só, sem lua-de-mel e, às vezes, até mesmo viúva. Já na Alemanha, as mulheres não acreditam no poder mágico da superstição. Tanto que lá, as moças sonham casar no mês de agosto. Na Argentina, não é aconselhável lavar a cabeça durante todo o mês de agosto. Quem lava a cabeça em agosto está chamando a morte.
Crendices a parte, o mês do azar vai registrar muitas coisas boas, como o Dia dos Pais; e aqui, no Pará, no dia 15, uma segunda-feira, correrá um feriado prolongado. E para quem torce pela moralidade política do país está aguardando fatos importantes. Como o impedimento da continuidade na vida política de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha.
Agosto é o mês do desgosto é um trocadilho advindo da cultura nordestina que se soma com o mais conhecido que caiu no gosto popular: “a gosto de Deus”, dando conta de que tudo fica por conta do acaso. Um exagero metafórico.
Quanto aos nomes dos meses do ano, cada um tem os seus porquês historicamente falando. É sabido que os romanos deram ao mês o nome de agosto, numa homenagem ao Imperador Augusto. Quando ao mito do azar, ele chegou ao Brasil trazido pelos colonizadores portugueses. E pelo jeito ele viralizou e ganha cada vez mais adeptos.
Crenças e superstições a parte, fato é que o tempo é mês não vão parar. Só não dá para afirmar se a seleção de Neymar vai conquistar o título que lhe falta. Muito menos se Dilma vai voltar, ou ainda se o choro sem lágrimas de Cunha foi capaz de contagiar seus pares e absolvê-lo. Só uma coisa é dada como certa: o mês de agosto tem dia e hora para acabar, que é em 31, às 23 horas e 59 segundos. Até lá, muitas coisas ainda vão acontecer, de preferência que seja mais as coisas boas.